Durante os últimos anos da construção em material composto, as fibras de reforço apresentaram um avanço que possibilitou o uso da tecnologia de laminação a vácuo ou pelo processo de infusão, proporcionando a produção de peças com resistência superior à maioria dos materiais de engenharia conhecidos.
Dentro da estrutura do material composto, as fibras são responsáveis pela transferência das tensões através da matriz de resina. Dentre todas as características das fibras de reforço, o tipo de filamento, a interação da sua superfície com a matriz de resina, a quantidade de resina e finalmente a orientação do reforço são as que irão determinar a performance final do laminado.
O grau de interação superficial da fibra com a resina controla as características de adesão entre elas e proporciona a coesão do laminado, o que é altamente influenciado pelo tipo de tecelagem, trama e tratamento superficial. Tipos de reforço com maior poder de compactação no processo de infusão irão fornecer maior fração em volume de fibras e melhores propriedades mecânicas. Neste processo, o alinhamento das fibras é fundamental para reduzir os espaços vazios a serem preenchidos pela resina.
Laminados produzidos com baixa tecnologia de tecelagem irão produzir espaços vazios entre os cabos e reduzir o grau de compactação. É um engano pensar que um tecido produzido em um tear simples possa fabricar um produto de uma qualidade capaz de permitir que o construtor use todo o potencial do laminado.
O diâmetro das fibras também é importante e, como regra geral, quanto menor o diâmetro, melhor será a adesão entre as fibras e a matriz de resina, melhor a compactação e menor o índice de porosidade e, finalmente, maior a resistência. Geralmente, quanto maior a quantidade de fibras, maior a resistência do laminado. Entretanto, com frações volumétricas de fibra a partir de 70%, a matriz de resina não consegue manter a coesão das fibras e a tendência é haver redução das propriedades mecânicas.
Pela própria natureza, as fibras produzidas com filamentos contínuos são mais propícias a resistir aos esforços em sua própria direção. O uso de fibras alinhadas com a direção dos esforços reduz a quantidade de material sem função estrutural dentro do composto.
