Construindo com Espumas de PVC

Atualmente as espumas de PVC são um dos tipos de núcleo mais utilizado na construção de peças estruturais de materiais compostos. As últimas formulações disponíveis têm oferecido enormes vantagens para a construção de laminados de alto desempenho. Algumas espumas de PVC oferecem quase o mesmo desempenho estrutural e o baixo peso que os honeycombs, com a facilidade de ser uma estrutura macroscopicamente sólida o que permite a laminação direta sobre sua superfície, e o mais importante, com um custo menor.

As espumas de PVC podem permitir uma deformação por cisalhamento em até 50%, conhecidas como Divinycell® e Maricell®, possuem elevada resistência à compressão e ao cisalhamento, além de possuírem excelente resistência química e tem uma temperatura de operação que varia entre –40°C e 120°C. Além disso, sua formulação e produção fazem com que tenham 100% de células fechadas, o que impede a absorção de água.

Esse material é produzido a partir de uma mistura de polímeros e resinas à base de PVC em um processo computadorizado que garante a precisão na formulação dos componentes químicos. A partir deste ponto, a mistura é colocada em pequenas formas metálicas, onde passa por um processo de aumento de temperatura e pressão. Logo após, é expandida com vapor d’água, curada em ambientes climatizados e estabilizados termicamente, antes de ser levada para processamento e corte. O processo de fabricação de uma espuma deste tipo consome de três a quatro semanas até os blocos estarem prontos para serem trabalhados. Dependendo da densidade, o tempo pode chegar a oito semanas.

Essas espumas de PVC são fabricadas em diversas densidades, as mais comuns são 40, 45, 60, 80, 100, 130, 160, 200 a 250 kg/m³. Cada densidade é codificada por uma cor diferente. Assim, as espumas de 45 kg/m³ têm cor azul, as de 60 kg/m³ cor amarela e as de 80 kg/m³ cor verde. Suas espessuras variam de 3 até 75mm e podem ser adquiridas em chapas planas ou cortadas em blocos de 40 x 40mm, coladas em uma tela de fios de vidro (GS – Glass Scrim).

É lógico que existe uma variedade imensa de outros produtos feitos a partir deste material e eles podem ser solicitados de acordo com sua aplicação específica. Existem vários tipos de corte disponíveis no mercado como DC, GSN, GSNS ou GSH. As espumas com cortes para infusão são projetadas para atender a permeabilidade da resina dentro do laminado. A configuração do corte longitudinal e transversal também possibilita que o projetista possa direcionar a frente de resina para onde ele achar mais interessante ou onde houver uma maior concentração de fibras com baixa permeabilidade.

Comentários (8)

  • Breno Schwinz disse:

    Posso substituir compensado naval (que apodreceu) por espuma? Acontece que tenho um veleiro de 25 pés que precisa de reparos e penso em substituir as estruturas que hoje são de compensado, mesmo as que não estão podres, por espuma. É uma boa ideia?

    • Barracuda Composites disse:

      Breno,
      O problema que você está enfrentando é muito comum, embarcações que utilizam balsa e compensado sofrerem com infiltração da água do mar através da camada externa de gel coat e fibra de vidro. Com o passar do tempo essa água no laminado causa o apodrecimento da madeira enfraquecendo o laminado. A solução é retirar todo o material de núcleo danificado e substituir por PVC.

  • Luciano Vieira disse:

    Prezados, trabalho em um estaleiro em Santa Catarina onde utilizamos muita espuma divinycell. As espumas para infusão são diferentes das que a gente usa para laminação manual. Qual a diferença entre os tipos de corte das espumas?

    • Barracuda Composites disse:

      Luciano,
      Existem vários tipos de corte das espumas e todas tem um propósito específico. Para resumir, o corte do tipo GSP é a placa plana sem nenhum tipo de furo ou ranhura. O corte do tipo DC (Double Cut) possui ranhuras com profundidade um pouco maior do que a metade de sua espessura dos dois lados da placa e é ideal para laminações manuais com a colagem do material de núcleo. O Corte do tipo DCI (Double Cut Infusion) também possui ranhuras dos dois lados da placa, essas ranhuras são pouco profundas servindo somente para aumentar a permeabilidade do laminado, além das ranhuras a placa DCI também é perfurada para que a resina flua igualmente nas faces de cima e de baixo do laminado. Por Último tem o corte do tipo GS que recebe ranhura somente de um dos lados da placa com a profundidade quase da espessura da placa, é adicionada uma tela de fibra de vidro na face de baixo desse tipo de placa para evitar que a espuma se separe, esse tipo de corte é indicado para laminações manuais e infusões em áreas com a curvatura acentuada.

    • Barracuda Composites disse:

      Renan,
      Alguns fabricantes utilizam corantes na fabricação da espuma para diferenciar as densidades, mas a tendencia atualmente é todas as densidades serem fabricadas na cor padrão da espuma de PVC (creme) e a densidade ser indicada através de marcadores pintados na lateral das placas para evitar a utilização de corantes durante a fabricação.

    • Barracuda Composites disse:

      Fabio,
      a espuma de PVC é muito utilizada em laminações a vácuo como nos processos de Vaccum Bagging e Infusão. É importante notar que existe diferentes tipos de cortes e ranhuras para cada processo.
      No processo de vacuum bagging, por exemplo, é utilizada a espuma de PVC na configuração GSP Perfurada, que é a placa lisa com perfurações que permitem a passagem de resina de uma face a outra da placa melhorando a pressão de vácuo e a compactação em ambas as faces do laminado.
      Já no processo de Infusão a vácuo, a espuma de PVC é utilizada no corte DCI, que possui ranhuras e perfurações em ambas as faces para aumentar a permeabilidade do laminado permitindo a perfeita impregnação.

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