Escolhendo um Projeto

Meu primeiro barco foi um desastre! Bem, eu tenho de admitir que cometi o erro mais comum de qualquer construtor principiante: tentar fazer ou adaptar, por conta própria, um projeto existente. Eu, sinceramente, não conheço nenhum lugar do mundo onde isso já tenha dado certo, e note que eu tenho andado por todos os lados deste planeta, vendo gente construir barcos de todo tipo e tamanho. Embora a qualidade da minha construção tivesse sido muito boa em termos de material, métodos de fabricação e acabamento, a adaptação do projeto deixou a desejar. Infelizmente, eu só fui reconhecer isso quando acabei de construir o barco e comecei a compará-lo com outros projetos melhores.

Um dos maiores problemas ao se adaptar um projeto, ou tentar fazer um do nada, sem os conhecimentos básicos, é que você superestima seu talento para construir algo que só você irá utilizar. As principais relações de comprimento/boca, alturas, larguras de porta, camas, cabine etc são, invariavelmente, feitas fora das dimensões comerciais usuais encontradas na maioria dos barcos projetados e construídos por profissionais experientes.

Na maior parte das vezes, as variações de escala são pequenas, mas o suficiente para causar danos estéticos. Mesmo que você faça um bom trabalho na sua primeira tentativa de adaptar um projeto, são pequenas diferenças que só um construtor experiente adquire com o tempo, que fazem um barco ter linhas e geometria agradáveis.

Você está pensando em construir um barco? Já sabe qual o projeto que vai utilizar?

Comentários (8)

  • Alexandre Tadeu Martins silva disse:

    Eu gostaria de fazer inicialmente um barco para navegar em rio e lago em torno de 5 metros.

    Depois um pequeno veleiro ou catamaran de mesmo tamanho aproximado.

    • Barracuda Composites disse:

      Alexandre, é muito importante na construção amadora começar por barcos mais simples e fáceis de fabricar para aprender o processo. Quando você for construir o Veleiro ou o Catamarâ já vai estar craque. qualquer dúvida é só falar.

  • Guilherme Moraes disse:

    Prezado Jorge Nasseh,

    Estou estudando construir uma canoa oceânica trimaran para day sailing na costa de Cabo Frio e lagoa de Araruama. Gostaria de encontrar quem já tenha construído alguma em madeira strip plank ou multi chine de compensado, mas conhecendo este portal eu me interessei em substituir a madeira por compósites no casco, mas não conheço o produto. Gostaria de saber:

    1) conhece e poderia me introduzir a alguém que já tenha construído uma canoa haviana ou Va’a em madeira?
    2) se a espuma de PVC faz a vez estrutural do casco em projeto de casco em compensado?
    3) qual dos seus livros comprar com afinidade para este projeto?
    4) como conhecer pessoalmente a espuma de PVC no RJ?

    • Jorge Nasseh disse:

      Guilherme

      Primeiro voce tem que me explicar o que é uma canoa trimaran oceanica. Juro que eu não sei!

      Sobre converter um projeto em madeira de strip planking ou compensado em material composto nao vejo dificuldade pra voce. Acho que no meu segundo livro (Métodos Avançados de Construção em Composites) tem um capitulo sobre construções em strip planking em espuma de PVC. Deve ter umas 100 fotos e voce vai ver que é bem simples. Rápido de construir!

  • Francisco disse:

    O que mais influencia na orça de um veleiro?
    O formato do casco; o tamanho e formato da quilha ou a configuração/tipo das velas?

    • Jorge Nasseh disse:

      O que mais influencia na orça de um veleiro? O formato do casco; o tamanho e formato da quilha ou a configuração/tipo das velas?

      Embora eu nao seja um projetista de barcos a vela eu diria TUDO. O formato do casco + peso do barco (quanto menor melhor) + razao de aspecto dos foils …… a quilha o mais fina possível e mais profunda possível + as proporções do plano velico = E-I-J

  • Raphael Fjällgren Miranda disse:

    Prezados,

    Eu sou formado em Eng. Mecânica e estou terminando um mestrado em Eng. Naval.
    Na minha pesquisa, muito em parte pelo meu histórico profissional, eu acabei caminhando para a aplicação de compósitos no projeto de lanchas.
    No meio acadêmico não faltam livros, papers e afins que exploram os fundamentos do cálculo estrutural de materiais compósitos (CLT, suas derivações e atualizações), no entanto esse conteúdo se restringe muito ao aspecto conceitual. Eu estou tendo uma grande dificuldade de encontrar material que me ajude a fazer essa transição dos conceitos teóricos para a aplicação prática mesmo.
    Na minha experiência profissional eu já havia tido contato com o livro “Manual de Construção de Barcos” do Jorge Nasseh que para mim é uma referência em termos da abordagem prática da construção de Barcos. No entanto eu sinto falta de um material que me ajude a fazer essa ligação entre o conhecimento da teoria clássica de laminação e conhecimento necessário para por exemplo poder dimensionar e estabelecer os diversos planos de laminação que compõem o projeto de uma lancha.
    Eu sei que atualmente a maior parte dessas aplicações se dão através de análises por elementos finitos mas essa abordagem foge muito ao escopo da minha pesquisa. Eu queria entender melhor como os engenheiros de compósitos de antigamente criavam seus planos de laminação, quais ferramentas e metodologias eram empregados e etc.
    Nesse sentido eu gostaria de saber se o livro “BARCOS – MÉTODOS AVANÇADOS DE CONSTRUÇÃO EM COMPOSITES” abrange essa parte de projeto mesmo, desde a concepção dos planos de laminação até as diferentes características de cada parte do barco que devem ser levadas em conta, para o dimensionamento desses planos de modo a se obter um projeto de laminação eficaz estruturalmente.
    Adicionalmente, caso esse livro não aborde essas questões, vocês teriam alguma recomendação de bibliografia que pudesse me ajudar nessa direção?

    Agradeço desde já pela atenção e por esse espaço para a troca de informações.

    • Jorge Nasseh disse:

      Raphael
      Realmente eu sugiro voce ler os ultimos dois capítulos deste livro (Métodos Avançados de Construção em Composites) porque tem uma otima regressao do calculo de espessuras baseado em um Structural Number. O resultado é 90% do que se usa atualmente na maioria dos estaleiros do mundo. Depois de ler me diz o que voce achou…. e parabéns pela escolha de fazer o mestrado!

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