Escolhendo um Projeto

Meu primeiro barco foi um desastre! Bem, eu tenho de admitir que cometi o erro mais comum de qualquer construtor principiante: tentar fazer ou adaptar, por conta própria, um projeto existente. Eu, sinceramente, não conheço nenhum lugar do mundo onde isso já tenha dado certo, e note que eu tenho andado por todos os lados deste planeta, vendo gente construir barcos de todo tipo e tamanho. Embora a qualidade da minha construção tivesse sido muito boa em termos de material, métodos de fabricação e acabamento, a adaptação do projeto deixou a desejar. Infelizmente, eu só fui reconhecer isso quando acabei de construir o barco e comecei a compará-lo com outros projetos melhores.

Um dos maiores problemas ao se adaptar um projeto, ou tentar fazer um do nada, sem os conhecimentos básicos, é que você superestima seu talento para construir algo que só você irá utilizar. As principais relações de comprimento/boca, alturas, larguras de porta, camas, cabine etc são, invariavelmente, feitas fora das dimensões comerciais usuais encontradas na maioria dos barcos projetados e construídos por profissionais experientes.

Na maior parte das vezes, as variações de escala são pequenas, mas o suficiente para causar danos estéticos. Mesmo que você faça um bom trabalho na sua primeira tentativa de adaptar um projeto, são pequenas diferenças que só um construtor experiente adquire com o tempo, que fazem um barco ter linhas e geometria agradáveis.

Você está pensando em construir um barco? Já sabe qual o projeto que vai utilizar?

Comentários (21)

  • Alexandre Tadeu Martins silva disse:

    Eu gostaria de fazer inicialmente um barco para navegar em rio e lago em torno de 5 metros.

    Depois um pequeno veleiro ou catamaran de mesmo tamanho aproximado.

    • Barracuda Composites disse:

      Alexandre, é muito importante na construção amadora começar por barcos mais simples e fáceis de fabricar para aprender o processo. Quando você for construir o Veleiro ou o Catamarâ já vai estar craque. qualquer dúvida é só falar.

  • Guilherme Moraes disse:

    Prezado Jorge Nasseh,

    Estou estudando construir uma canoa oceânica trimaran para day sailing na costa de Cabo Frio e lagoa de Araruama. Gostaria de encontrar quem já tenha construído alguma em madeira strip plank ou multi chine de compensado, mas conhecendo este portal eu me interessei em substituir a madeira por compósites no casco, mas não conheço o produto. Gostaria de saber:

    1) conhece e poderia me introduzir a alguém que já tenha construído uma canoa haviana ou Va’a em madeira?
    2) se a espuma de PVC faz a vez estrutural do casco em projeto de casco em compensado?
    3) qual dos seus livros comprar com afinidade para este projeto?
    4) como conhecer pessoalmente a espuma de PVC no RJ?

    • Jorge Nasseh disse:

      Guilherme

      Primeiro voce tem que me explicar o que é uma canoa trimaran oceanica. Juro que eu não sei!

      Sobre converter um projeto em madeira de strip planking ou compensado em material composto nao vejo dificuldade pra voce. Acho que no meu segundo livro (Métodos Avançados de Construção em Composites) tem um capitulo sobre construções em strip planking em espuma de PVC. Deve ter umas 100 fotos e voce vai ver que é bem simples. Rápido de construir!

  • Francisco disse:

    O que mais influencia na orça de um veleiro?
    O formato do casco; o tamanho e formato da quilha ou a configuração/tipo das velas?

    • Jorge Nasseh disse:

      O que mais influencia na orça de um veleiro? O formato do casco; o tamanho e formato da quilha ou a configuração/tipo das velas?

      Embora eu nao seja um projetista de barcos a vela eu diria TUDO. O formato do casco + peso do barco (quanto menor melhor) + razao de aspecto dos foils …… a quilha o mais fina possível e mais profunda possível + as proporções do plano velico = E-I-J

  • Raphael Fjällgren Miranda disse:

    Prezados,

    Eu sou formado em Eng. Mecânica e estou terminando um mestrado em Eng. Naval.
    Na minha pesquisa, muito em parte pelo meu histórico profissional, eu acabei caminhando para a aplicação de compósitos no projeto de lanchas.
    No meio acadêmico não faltam livros, papers e afins que exploram os fundamentos do cálculo estrutural de materiais compósitos (CLT, suas derivações e atualizações), no entanto esse conteúdo se restringe muito ao aspecto conceitual. Eu estou tendo uma grande dificuldade de encontrar material que me ajude a fazer essa transição dos conceitos teóricos para a aplicação prática mesmo.
    Na minha experiência profissional eu já havia tido contato com o livro “Manual de Construção de Barcos” do Jorge Nasseh que para mim é uma referência em termos da abordagem prática da construção de Barcos. No entanto eu sinto falta de um material que me ajude a fazer essa ligação entre o conhecimento da teoria clássica de laminação e conhecimento necessário para por exemplo poder dimensionar e estabelecer os diversos planos de laminação que compõem o projeto de uma lancha.
    Eu sei que atualmente a maior parte dessas aplicações se dão através de análises por elementos finitos mas essa abordagem foge muito ao escopo da minha pesquisa. Eu queria entender melhor como os engenheiros de compósitos de antigamente criavam seus planos de laminação, quais ferramentas e metodologias eram empregados e etc.
    Nesse sentido eu gostaria de saber se o livro “BARCOS – MÉTODOS AVANÇADOS DE CONSTRUÇÃO EM COMPOSITES” abrange essa parte de projeto mesmo, desde a concepção dos planos de laminação até as diferentes características de cada parte do barco que devem ser levadas em conta, para o dimensionamento desses planos de modo a se obter um projeto de laminação eficaz estruturalmente.
    Adicionalmente, caso esse livro não aborde essas questões, vocês teriam alguma recomendação de bibliografia que pudesse me ajudar nessa direção?

    Agradeço desde já pela atenção e por esse espaço para a troca de informações.

    • Jorge Nasseh disse:

      Raphael
      Realmente eu sugiro voce ler os ultimos dois capítulos deste livro (Métodos Avançados de Construção em Composites) porque tem uma otima regressao do calculo de espessuras baseado em um Structural Number. O resultado é 90% do que se usa atualmente na maioria dos estaleiros do mundo. Depois de ler me diz o que voce achou…. e parabéns pela escolha de fazer o mestrado!

  • Raphael Fjällgren Miranda disse:

    Prezado Jorge Nasseh

    Comprei o seu livro “Métodos Avançados de Construção em Composites” seguindo sua recomendação e gostei bastante principalmente das partes de laminação à vácuo e infusão. Informações realmente preciosas para quem trabalha ou vai trabalhar com esses processos.
    No que tange a minha necessidade acadêmica devo dizer que o livro trouxe muitas elucidações mas também algumas dúvidas.
    Para ser mais específico, no capítulo 6 (Determinação de Espessura) na parte de “Espessura dos Tecidos” pode-se ler a seguinte passagem:
    “As direções dos tecidos devem ser tais que o laminado tenha um comportamento isotrópico onde as tensões sejam semelhantes em todas as direções. Laminados unidirecionais devem ser considerados a partir de cálculo específico.”

    Antes de ler o seu livro eu imaginava que, tradicionalmente, na própria laminação do fundo e do costado de uma lancha por exemplo, já haveria alguma proporção maior de tecidos unidirecionais dispostos na direção longitudinal entremeados à espessura do laminado para melhorar em grande medida o desempenho da viga-navio como um todo. No entanto, após ler o seu livro, estou entendendo que a maior parte do casco é projetado buscando-se um laminado quasi-isotrópico mas, simultaneamente, existe essa associação com tiras (ou “tapes”) de laminados unidirecionais em pontos chaves como quilha, chines e borda (como os que podem ser vistos nas imagens das páginas 215 e 216) que formam uma espécie de “gaiola” estrutural interna ao casco. Estaria correta essa leitura?

    Nesse sentido, minhas dúvidas são:

    1- Seria razoável então estabelecer um plano de laminação global para o casco que consistiria basicamente em uma repetição de um padrão [0/±45/90] até as espessuras necessárias para os painéis do fundo, costado e conveses? E no que tange esses reforços locais (os tais “tapes”) que usam tecidos unidirecionais orientados conforme as tensões, como eu os integraria neste dimensionamento global do casco? Devo tratá-los como reforçadores “independentes” do casco da mesma forma que fazemos com longarinas e afins?

    2- Isso também implicaria dizer que os esforços longitudinais, transversais e torcionais do casco seriam majoritariamente suportados pelos membros estruturais e reforços locais unidirecionais e, por sua vez, os grandes chapeamentos de fundo, costado e convés, com características mais isotrópicas, teriam um papel mais voltado para resistir às pressões as quais estão submetidas do que suportar esses grandes esforços direcionais (longitudinais, transversais, e torcionais)?

    Você menciona ainda em determinado ponto do livro (pág. 212 pra ser mais exato) que: “A última etapa da laminação é a colocação dos reforços de tecidos unidirecionais em um ângulo de 30 graus com a linha de centro do barco.”
    3ª- Em face dessa afirmação, onde posso encontrar material que me permita entender e aprender essas recomendações específicas e como são realizados esses cálculos específicos que o senhor menciona diversas vezes?

    Não sei se fui claro em explicitar minhas dúvidas. Inclusive me pergunto se somente a experiência em construção naval poderia me trazer essa capacidade de definir esses parâmetros que estou buscando entender.

    De qualquer maneira agradeço imensamente a atenção cedida e todo o conhecimento compartilhado.

    Cordialmente,                                                                                                                                                                          Raphael Fjällgren Miranda                                                            

    • Barracuda Composites disse:

      Prezado Raphael.

      Inicialmente o capítulo de determinação de espessuras foi escrito para ser um guia rápido para se determinar espessuras dos laminados, espessura do core e peso/gramatura dos tecidos em fibra de vidro a partir de um Numero Estrutural e de propriedades mecânicas listadas na página 307. O laminado usado é basicamente quis-isotrópico para facilitar a avaliação. Se você precisar de um cálculo mais avançado utilizando ortotropia dos laminados ele vai ter que ser feito através de um programa de elementos finitos.

      Pergunta 1: Para facilitar você pode tratar os painéis do fundo e costado como quase-isotrópicos. Longarinas e transversais que tem uma direção principal devem ou podem ser tratados assumindo alguma unidirecionalidade do laminado mas este não é um calculo simples.

      Pergunta 2: Exato. Os painéis do fundo e costado (elemento de casca) são os elementos primários que descarregam as pressões nas anteparas transversais e longarinas (longitudinais) que são elementos secundários e terciários da estrutura. Os paineis podem ser calculados simplificadamente pela teoria de cascas planas cujas formulas analíticas são conhecidas. Ver: “Roark’s Formulas for Stress and Strain”.

      Pergunta 3: Esta afirmação da pagina 212 foi feita especificamente para a construção de um convés de um Mini-Transat em fibra de carbono que tem parte dos tecidos nas direções 0/90 e finalmente uma camada de tecido unidirecional a 30 graus com a linha de centro. Como projetamos a construção de centenas ou milhares de barcos já conhecemos as direções primárias onde ocorrem as maiores tensões e deformações e por isto temos a sensibilidade de escolher os ângulos principais de laminação.

  • Luis Siqueira disse:

    Meu primeiro projeto de casco foi um trimarã 15 pés e na época, anos 90 não existia os materiais que temos hoje. Dificuldade para modelar era o principal. Hoje temos tecnologia para acelerar os projetos e principalmente baratear.

  • Luis Siqueira disse:

    Olá, tudo bem?
    Estou tocando um projeto de reforma de uma lancha de 17 pés onde será reaproveitado apenas o casco, sendo readequado todo espaço interno e cavernas. Qual seria o material de núcleo com melhor custo benefício para a construção interna?

    obrigado e forte abraço

    • Barracuda Composites disse:

      Luis,

      Normalmente para lanchas desse tamanho, as anteparas são construídas em espuma de PVC Divinycell H60 de 15mm. No caso da construção de móveis ou peças de interior, voce também pode utilizar Espuma de PVC Divinycell H45 de 6 a 10mm.

  • Anderson disse:

    Olá,

    Não tenho noção nenhuma em construção de barcos/lancha, mas gostaria de construir um barco/lancha para pesca, tem algum material que vcs indicam? Sou marceneiro, trabalho com madeira maciça.

    • Barracuda Composites disse:

      Olá Anderson,
      Há uma infinidade de opções de fibras, resinas, núcleos e combinações entre eles disponíveis para você construir sua lancha. A seleção desses materiais e a quantidade necessária vai depender do projeto da embarcação, de onde ela irá navegar, em qual velocidade, do processo construtivo que você vai escolher, entre outros fatores. Para conhecer mais sobre as variáveis de projeto, os detalhes da construção, as opções de materiais e processos, recomendamos a leitura dos livros da Coleção Jorge Nasseh. As cópias físicas estão disponíveis na nossa loja online e as versões em eBook estão disponíveis na Loja Kindle.

  • Cristiano disse:

    Tenho interesse em construir um veleiro multichine28, e a única construção que tenho experiência é a civil, nunca fiz nada na área naval. Segundo consta no site dele, eles entregam tudo o que preciso para aprender e construir por conta.
    Resolvi construir um veleirinho pequeno de projeto livre com compensado pra aprender o processo, estou buscando bibliografia para estudar também, encontrei o seu livro. Mas fiquei na dúvida, seu material é exclusivo para linhas de produção para estaleiros profissionais ou tem algum capitulo sobre construção de veleiros em madeira ou laminado para quem é amador?

    • Barracuda Composites disse:

      Olá Cristiano!

      Os livros não são exclusivos para as linhas de produção de estaleiros, eles foram pensados para serem um guia para todos os tipos de construtores, tanto os amadores quanto os profissionais. Temos certeza que você fará bom proveito de todos os quatro livros da coleção, principalmente do Técnica e Prática de Laminação em Composites, que mostra em detalhes a construção do veleiro Andorinha pelo método Power Flex, ideal para construção de cascos multichine como o do seu projeto.

  • Dartagnan Dilson Paiva Filho disse:

    DÁrtagnan
    Gostaria de saber quantas camadas de fibra em média(sei que depende muito de projeto), são utilizadas em um casco de um veleiro em madeira de 40 Pés e se da linha d’agua pra baixo (obras vivas) tem mais camadas do que o restante do casco.

    • Barracuda Composites disse:

      Olá, Dartagnan

      É difícil te dar uma resposta precisa porque o número de camadas de fibra para contrução de um casco depende de muitas variáveis. Depende de qual tipo de fibra sintética você vai utilizar (carbono ou vidro são duas opções e depois de feita essa escolha, ainda há um leque de opções entre elas), do tipo de processo de fabricação você vai escolher, além das características da embarcação mesmo, do arranjo estrutural desenvolvido, da região onde a embarcação deve navegar, entre outros detalhes. Para conhecer um pouco mais sobre os aspectos que influenciam o número de camadas na construção de um veleiro, os livros da Coleção Jorge Nasseh são muito bons e em especial o Barcos – Métodos Avançados de Construção em Composites vai te ajudar com essa dúvida, já que possui um capítulo de determinação de espessuras.

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