Aplicando Gelcoat

Poucas pessoas podem imaginar que por trás do brilho do acabamento no gelcoat dos barcos, uma infinidade de variáveis esconde um processo cheio de truques e armadilhas que só alguns construtores conhecem.  O gelcoat é a camada mais externa do casco de um barco, geralmente branca, mas esta pode ser de qualquer cor. Aplicada em primeiro lugar dentro do molde, antes das laminações das camadas de fibra, a espessura média dessa camada é de, aproximadamente, 0,6 milímetros. Sendo tão fina, não dá margem para erros na sua formulação ou aplicação.

Construtores experientes, que geralmente produzem laminados de fibra de vidro de boa qualidade, podem listar uma série de problemas com gelcoat e com boas razões. Na maioria das vezes, laminados de fibra de vidro e resinas poliéster podem curar com catalisador MEKP nas mais diversas proporções e em quase todas as condições de temperatura e umidade, embora produzam laminados de qualidade suspeita. Gelcoats são, na verdade, uma mistura de resina poliéster e uma série de cargas minerais. Em sua utilização, são muito sensíveis a qualquer tipo de variação, podendo produzir incríveis surpresas após a desmoldagem das peças.

Além da proporção de catalisador, outra variável também difícil de se controlar é a espessura do filme de gelcoat. Se aplicado muito grosso, várias rachaduras poderão aparecer em muito pouco tempo. Se aplicado muito fino, provavelmente haverá uma série de defeitos de enrugamento a serem corrigidos após a desmoldagem do casco e o construtor irá gastar horas e mais horas reparando, repintando e polindo a peça.       

Essa variação crítica de espessura é algo em torno de mais ou menos dois décimos de milímetro. Geralmente, os construtores consideram a aplicação de gelcoat muito mais delicada que a laminação, porque a maior parte dos fabricantes desse tipo de material não sabe exatamente o que mistura, a maior parte dos vendedores não sabe o que diz e a maior parte dos gelcoteadores não sabe o que faz. Pode parecer engraçado, mas experimente passar duas horas ao lado do gelcoteador de uma fábrica que produza barcos, ou mesmo qualquer outra peça de fibra de vidro.

Comentários (4)

  • João Marinho disse:

    Bom dia,
    estou tendo problemas de enrugamento no gelcoat após o desmolde. A resina da manta parece atravessar a camada de gel.
    Aplico o gelcoat com a proporção média de 800 g/m² catalisado com MEKP na proporção de 1,5%.
    Após o gelcoat lamino uma manta 300g/m² com resina poliéster ortofitálica catalisada também com MEKP na proporção de 0,8% para me dar tempo de trabalho.
    A temperatura média nessa época do ano onde moro é entre 18°C e 21°C.
    o que pode estar acontecendo?

    • Barracuda Composites disse:

      Bom dia João, ótima pergunta!
      Com relação a proporção de gel aplicada por metro quadrado está ótimo, essa quantidade de 800 g/m² vai deixar uma espessura de 0,6mm. E a proporção de MEKP também está dentro do ideal que é entre 1,0% e 2,0%.
      O que deve estar acontecendo para a resina do skin coat transpassar o gel é a pouca catalisação da resina utilizada para laminar as mantas que juntamente com a baixa temperatura da sua região deixa a resina muito tempo em estado líquido fazendo com que o monômero de estireno contido na resina ataque o gelcoat.
      Sugiro aumentar a catalisação para que a resina entre em gel mais rápido, e também manter a resina de laminação em uma temperatura entre 22°C e 25°C.

  • Rodolpho disse:

    *Após o gelcoat lamino uma manta 300g/m² com resina poliéster ortofitálica catalisada também com MEKP na proporção de 0,8% para me dar tempo de trabalho. A temperatura média nessa época do ano onde moro é entre 18°C e 21°C.

    Dependendo da resina de laminação 0.8% de Mekp a 18-21 graus C vai dar um tempo de cura longo e é exatamente isto que faz a camada de gelcoat se muito fina enrugar…. o estireno fica em cima do gelcoat “derretendo” ele até começar a curar. É como deixar estireno sobre a pele!!!!

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