Construindo com Fibras de Vidro

A fibra de vidro que normalmente se utiliza na fabricação de barcos é conhecida por uma gama de nomes diferentes mas que, na verdade, significam a mesma coisa.  Dependendo do lugar ou de quem está falando, você poderá escutar termos como fibra de vidro, fiberglass, plástico reforçado com fibra de vidro ou suas abreviaturas FRP, GRP ou PRFV.  Em todos os casos, esses termos e abreviaturas significam a utilização de fibras de vidro em conjunto com uma resina. 

A história das fibras de vidro começou em 1836, quando foi patenteado na Europa um método de tecer vidro maleável. Em 1839, tecidos de fibra de vidro foram então colocados pela primeira vez em uma exposição industrial e, por volta de 1840, essa mesma fábrica começou a receber seus primeiros pedidos. É lógico que o material não resistiu à competitividade de outros produtos industrializados de sua época e logo desapareceu. Eu diria que o motivo foi o preço muito alto. Levou praticamente um século até que esse material ressurgisse no mercado mundial para utilização em isolamento de cabos e condutores elétricos. A partir de 1940, o desenvolvimento das resinas sintéticas promoveu uma ampla utilização para esse tipo de fibra e suas aplicações abriram uma grande variedade de mercados.

As fibras de vidro são produzidas a partir do vidro em forma líquida, que é resfriado a alta velocidade. Através do controle de temperatura e velocidade de escoamento do vidro são produzidos vários tipos de filamentos com diâmetros variados. Os filamentos de diâmetro contínuo são tratados para melhorar a sua adesão e resistência à abrasão e umidade. O tipo de tratamento dos fios é determinado, em uma fase seguinte, de acordo com sua aplicação.

Comentários (13)

    • Barracuda Composites disse:

      Leonardo,
      Respondendo sua pergunta de forma simplificada, os tecidos Bidirecionais possuem os fios tramados entre si. Essas tramas podem ser de diversos tipos, os mais comuns são as tramas planas e sarja que também é conhecida como twill.
      Já os tecidos biaxiais funcionam como dois tecidos unidirecionais posicionados em diferentes orientações (normalmente 0°/90° e 45°/-45°) um acima do outro com uma leve costura de poliéster que os mantém unidos. Desta forma como os fios não são tramados eles mantêm melhor o alinhamento tornando o laminado mais resistente. O mesmo sistema é utilizado para tecidos triaxiais (-45°/0°/45°) e quadriaxiais (0°/45°/90°/-45°) que são simplesmente três ou quatro tecidos unidirecionais também posicionados um acima do outro mantidos unidos por uma costura.
      É importante também atentar para o processo de fabricação a ser utilizado, para infusão por exemplo existe tecidos próprios para esse processo por possuírem melhor permeabilidade devido ao tamanho de suas fibras.

    • Barracuda Composites disse:

      Thomas,
      o melhor plano de laminação para a fabricação de longarinas é utilizando tecidos biaxiais em X (45°/-45) nas almas das longarinas para resistir ais esforços de torção e flambagem e a utilização de tecidos unidirecionais nos flanges (0°) para resistir aos esforços de tração e compressão.

    • Barracuda Composites disse:

      Rodolpho,
      muitos construtores utilizam direto o tecido triaxial com tramas a 45°/-45°/0° em todas as áreas das longarinas (almas e flanges) para facilitar a laminação. esse tipo de tecido pode ser utilizado sem nenhum problema!

    • Barracuda Composites disse:

      As diferenças estão basicamente na composição química e no diâmetro dos filamentos. A fibra de vidro do tipo E tem um teor alcalino mais baixo, mas possui um ótimo custo e atende muito bem as necessidades dos construtores de barco. As fibras do tipo R e S foram criadas a partir de uma demanda da indústria aeronáutica e têm uma proporção maior de alumínio e sílica, além de filamentos com metade do diâmetro, o que permite uma melhor compactação e garante uma resistência até 40% maior do que o tipo E, mas seu custo é significativamente maior.

  • Wagner José disse:

    Olá, tudo bem?
    Gostaria de aprender a trabalhar com fibra de vidro. Quero aprender a fazer moldes e peças, usando tecido e manta para preencher com resina epoxy. Estou no caminho certo? Tem algum tecido e manta que para desempenhar a mesma função, tanto para moldes quanto para peças no processo manual com vácuo? Vi no comentário que as R e S são as melhores, mas não sei se podem ser usadas para tudo. Obrigado.

    • Barracuda Composites disse:

      Bom dia, Wagner

      Tudo depende da sua aplicação. O que você pretender fazer? Fibras de vidro R e S possuem melhores propriedades mecânicas, mas normalmente a fibra de vidro E é economicamente mais viável e capaz de suportar as cargas do seu projeto. A resina epoxy pode sim ser utilizada, mas talvez a poliéster seja uma escolha economicamente melhor para a aplicação que você precisa.

      Os livros da coleção Jorge Nasseh exploram em detalhes a construção com materiais compostos e podem te ajudar a ter uma noção dos princípios básicos e da direção que você deve ir para construir o que deseja. Qualquer dúvida, também estamos à disposição.

  • Francisco Bittar disse:

    Qual é a diferença entre laminar a parte externa de um casco com os tecidos posicionados longitudinalmente ou transversalmente ? No meu caso seria um veleiro pequeno de compensado naval, utilizando um tecido de fibra de vidro biaxial de 61cm de largura. Qual dessas duas formas é mais indicada nesse caso?

    • Barracuda Composites disse:

      Olá, Francisco

      Seu tecido biaxial [0/90] ou [+45/-45]? Normalmente se realiza a laminação com os tecidos posicionados longitudinalmente, mas o importante é que você tenha fibras nas direções das cargas que atuam na embarcação. No seu caso, isso é uma preocupação menor porque a laminação dos tecidos de vidro com resina epoxy não tem tanta função estrutural, eles estão ali com a principal função de proteger o compensado, que realmente é responsável por sua estutura, da água e da umidade.

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