Equipamentos de Proteção Individual

As condições de fabricação possuem influência direta na qualidade final do laminado e as laminações e reparos sempre devem ser realizadas em condições de temperatura dentro dos parâmetros indicados pelos fornecerores para preservar a viscosidade ideal e até mesmo a capacidade de cura da resina. 

Mas além de manter as condições ideais de fabricação, é necessário sempre garantir a segurança dos colaboradores, começando a partir do fornecimento de equipamentos de proteção individual adequados. Se não forem disponibilizados desde o início da fabricação é mais difícil convencer os laminadores a se protegerem posteriormente.

Isso pode se tornar um grande problema uma vez que o estaleiro é um ambiente insalubre por natureza. Todos os materiais de construção de composites possuem características que podem comprometer a saúde da equipe de trabalho a curto e a longo prazo.

O material de reforço mais utilizado na indústria náutica, a fibra de vidro, é um irritante mecânico que causa coceira e irritação quando entra em contato com a pele e com os olhos. Respirar a poeira desse material pode causar irritação na boca, nariz e garganta. Isso tudo pode agravar condições respiratórias e de pele preexistentes quando em exposição contínua.

A resina poliéster é outro material utilizado em larga escala que apresenta características prejudiciais à saúde humana. Durante o processo de cura essa matriz polimérica libera compostos orgânicos voláteis, ou VOCs, que podem causar tontura e sufocação. Além disso, o contato pode causar queimaduras ou irritação na pele e nos olhos. As resinas epoxy também causam irritação e sensibilidade quando em contato com os olhos e com a pele, podendo iniciar até dermatites.

As espumas PVC não são exceções, já que a poeira desse tipo de material pode causar irritação devido à abrasão mecânica quando em contato com os olhos e a pele. Sua inalação também causa irritação no trato respiratório e nos pulmões.

Exposição prolongada à essas condições insalubres podem causar irritações prolongadas mesmo longe do local de trabalho e até mesmo doenças respiratórias graves. Portanto, é necessário proteger os colaboradores fornecendo os equipamento de proteção individual necessários, começando por roupas com mangas compridas e luvas.

Para proteção dos olhos é essencial o uso de óculos de proteção com lentes transparentes. Para evitar a inalação das substâncias citadas, é necessário o uso de máscaras de proteção com filtros PFF2 ou PFF3, capazes de proteger contra a poeira, névoas e fumos. Locais como os punhos podem acabar por ter alguma porção de pele exposta à essas condições, portanto deve ser aplicado um creme protetor nessas regiões.

Deve ser disponibilizado uma emulsão de limpeza para as mãos no fim do trabalho, sempre evitando solventes fortes que possam atacar a pele após a remoção da resina. Um creme apropriado agirá como lubrificante, tirando a resina sem destruir a proteção natural da pele.

Além da disponibilização dos EPIs, é necessário que o construtor tenha acesso às fichas de segurança e proteção química de todos os materiais que utiliza, para ter ciência dos procedimentos de primeiros socorros caso algum acidente aconteça. O local ainda deve estar pronto para conter incêndios já que resinas e solventes são inflamáveis, assim como as espumas PVC. É recomendado o uso de extintores de pó seco, nunca água. A exceção é o catalisador para resina poliéster que deve ser extinto com água.

Outras recomendações relacionadas às condições de fabricação de um estaleiros estão presentes no livro Manual de Construção de Barcos.

Comentários (4)

    • Barracuda Composites disse:

      Olá, Carlos

      O uso de EPIs é uma excelente maneira de minimizar isso. É possível também estudar maneiras de diminuir o contato dos colaboradores com materiais em sua forma bruta. O processo de infusão a vácuo, por exemplo, limita o contato dos laminadores com a resina não curada, mantendo-os longe dos gases emitidos durante a cura, evitando o contato da substância com a pele e mantendo o ambiente como um todo mais limpo.

    • Barracuda Composites disse:

      Luiz,

      Esse tipo de documento sempre pode ser obtido com os fornecedores dos materiais. Tanto fichas de segurança e proteção química (FISPQs) quanto fichas de emergência contendo informações sobre o equipamento e procedimentos a serem realizados em caso de acidentes.

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