Laminando com Resinas Poliéster

A resina poliéster atualmente está presente em quase 90% de todas as embarcações fabricadas em composites no mundo, principalmente por seu baixo custo em comparação com as demais opções. Como existe uma grande variedade de matrizes poliéster à disposição, com diversas propriedades físicas e mecânicas, é possível formular uma resina específica para cada tipo de aplicação.

Para a construção náutica, os métodos de spray-up, laminação manual e infusão à vácuo são os que mais utilizam a matriz poliéster. Como cada processo possui características distintas, são necessárias formulações diferentes. As resinas de spray-up, por exemplo, precisam de um tempo de gel pequeno e viscosidade suficiente para manter os fios picotados aderidos ao laminado. Já as resinas de laminação manual normalmente possuem alta viscosidade e o tempo de gel médio (em torno de 20 a 30 minutos), enquanto as resinas de infusão precisam ter a viscosidade baixa (aproximadamente 200 cps) e o tempo de gel alto para que de tempo de impregnar todo o laminado.

O processo de cura da resina poliéster é talvez a parte mais importante da fabricação de laminados para a indústria náutica. É importante controlar bem a temperatura inicial e final da resina, assim como o tipo e a quantidade de catalisador utilizado.  O catalisador mais comum é o peróxido de metil-etil-cetona, conhecido como MEKP, que normalmente é misturado a resina na proporção de 0,8% a 2,0%, em peso. É muito importante respeitar as taxas de catalisação informadas por cada fabricante para que não haja problemas na cura da resina.

A temperatura e umidade do ambiente de laminação também são fatores extremamente importantes. Resinas poliéster não apresentam um bom desempenho abaixo de 18°C e quando a temperatura ambiente está abaixo desse limite, é necessário aquecer a resina entre 22°C e 25°C. Além de problemas na catalisação, a temperatura baixa eleva muito a viscosidade da resina, podendo causar falha de impregnação e impedir o fluxo de resina no laminado no caso de infusão a vácuo. Altas temperaturas causam o efeito contrário, começando com a redução significativa do tempo de gel e a diminuição drástica da viscosidade. Durante a laminação, deve ser observado também que o valor da umidade relativa não ultrapasse 85%.

Comentários (8)

    • Barracuda Composites disse:

      Esse problema é particularmente sério quando se usam resinas poliéster do tipo ortoftálica. O uso de resinas feitas com base em ácidos isoftálicos já diminui esse problema, ainda mais se utilizado em conjunto com outros aditivos.

  • JOAO BATISTA CARDOSO VIANA disse:

    Não tenho nenhuma experiência com resina e laminação e preciso construir placas pequenas com muita resistência.
    Área da placa. 265mmx255mm
    Estou usando uma resina comum encontrada no mercado, não sei qual a composição da resina, o vendedor não tem nenhuma informação técnica sobre o produto. Se poder me ajudar serei grato. Obrigado

    • Barracuda Composites disse:

      Olá, João

      Para te ajudar, precisamos de mais algumas informações. Pode enviar para o e-mail [email protected], informando que tipo de resistência você precisa para sua placa? Onde ela vai ser aplicada? Com mais detalhes podemos te orientar melhor.

  • Diogo Fillippo Nunes Gianott disse:

    Trabalho com quilhas de pranchas e faço placas com algo em torno de 44lâminas de fibra mas estou tento problemas com muitas bolhas e não consigo obter uma boa transparência pode me indicar algum produto ou procedimento para alcançar o resultado que preciso ?

    • Barracuda Composites disse:

      Olá, Diogo

      Normalmente o uso processos de fabricação com vácuo diminuem a quantidade de vazios no laminado e os posts sobre Laminação por Vacuum Bag e Infusão a Vácuo explicam o passo a passo para esses métodos. Se você estiver utilizando o processo de laminação manual, utilizar um rolo de compactação para tentar diminuir a quantidade de vazios normalmente apresenta resultados muito interessantes. A transparência você pode alcançar por meio do uso de uma resina de laminação adequada e o datasheet do produto vai te informar sobre a coloração que ela possui.

  • Robinson Araújo Assad Filho disse:

    Preciso reforçar o casco de um barco de pesca (um bote de arrasto do camarão com 7,70m comprimento 2,20 ) ele é todo de madeira tem 10 anos, gostaria de saber se posso fazer só o fundo até um palmo acima da linha d’água, aqui é muito usado a resina poliéster com fibra de vidro, mas já trabalhei com peças pequenas em resina epóxi, vocês tem algum epóxi que seja econômico, e se sim, quantas camadas recomendam?
    Muito agradecido

    • Barracuda Composites disse:

      Olá, Robinson

      A resina epoxy sempre é melhor para se trabalhar com madeira, mas resinas epoxy estruturais apresentam um custo maior quando comparadas com resinas poliéster. Existem algumas resinas epoxy básicas que possuem um custo mais competitivo, mas suas propriedades mecânicas não são satisfatórias e então seria melhor utilizar resina poliéster.

      Recomendamos que você faça o reforço em todo o costado até o fim da borda livre para evitar que o contato com a água cause infiltrações na camada de fibra e cause peeling, ou descolamento do reforço.

      Recomendamos que você aplique duas camadas de resina, então duas camadas de manta. Após isso, realize o acabamento e a pintura da sua embarcação.

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